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As plumas.

 

Introdução:

 

Uma das satisfações que a pesca á pluma nos pode proporcionar, é o facto de podermos confeccionar as nossas plumas. E apenas podemos sentir o prazer que nos proporciona, no momento em que estamos sentados numa cadeira, em frente a uma mesa repleta de material de montagem, que colocamos nos nossos dedos todo o conhecimento que adquirimos ao longo do tempo, e realizamos aquela pluma tão especial que nos poderá dar o peixe da nossa vida. Pode parecer esquisito, mas esse momento é tão especial, que se fechar-mos por momentos os olhos, os nossos pensamentos voam até ao rio, imaginando a fantástica pescaria de amanhã.

E assim que chega o dia de amanhã, quando segurarmos o peixe com delicadeza entre as nossas mãos, e virmos que tem dentro da sua boca aquela pluma que fizemos com tanto empenho, saberemos o verdadeiro significado da pesca á pluma.

Depois, com o passar do tempo, os nossos dedos agem como por instinto, e poderemos tentar algo mais ousado. Podemos tentar realizar imitações cada vez mais realistas, que para nós, pescadores á pluma, se pode transformar numa forma de arte.

 

 

 

Este é um exemplo de uma montagem realista. 

 

De seguida, apenas iremos abordar os principais tipos de plumas, isto porque, dependendo da habilidade e criatividade de cada montador, poderão surgir infinitos modelo, e até algumas invenções.

 

As plumas.

As ninfas:

Ninfa, é o nome dado ás larvas dos pequenos insectos que habitam o meio aquático. Estas ninfas vivem entre as pedras no leito do rio, pois aí encontram abrigo e alimento enquanto se desenvolvem. Em qualquer sitio em que exista água, seja um rio límpido ou um charco estagnado, existem ninfas. Algumas espécies são mais sensíveis, e apenas conseguem sobreviver em águas límpidas, como por exemplo as larvas das efémeras. Enquanto que outras espécies, como por exemplo as larvas da libélula tanto habitam águas limpas como estagnadas.

 Quando falamos em águas estagnadas, não falamos em águas poluídas, e qualquer espécie de ninfa não tolera quaisquer níveis de poluição. Como devem saber, um rio é um ecossistema pequeno e sensível em que os insectos são a base da cadeia alimentar. E a partir do momento em que o rio apresenta níveis de poluição, os insectos desaparecem de imediato, assim como todos os animais que deles se alimentam, incluindo os peixes. E assim, um rio deixa de ter vida!

Ao longo do tempo, os peixes foram obrigados a se adaptarem ao meio onde vivem, e por norma, de maneira a se alimentarem do que é mais abundante na área. E em qualquer massa de água as ninfas são os seres que existem em maior quantidade, e tornam-se no alimento numero um dos peixes tanto no seu estado juvenil como adulto.

 

As emergentes (subimago):

  Quando as ninfas acabam de se desenvolver, passam á fase seguinte da sua vida, pois chegou o momento em que se transformam em insectos adultos. A maioria dos insectos do rio eclodem ao mesmo tempo, na mesma altura do dia e em grandes quantidades. Neste momento, as ninfas têm de se libertar das pedras que foram o seu refúgio, e nadar até á superfície. A ninfa realiza o seu maior esforço quando tenta romper a superfície da água devido á "tensão superficial" da mesma, e depois de o fazer é obrigada a permanecer durante um certo tempo á superfície de modo a que as asas se abram para poderem voar. É nestes momentos da sua vida que estão mais vulneráveis, e muitas vezes tornam-se alimento de um peixe esfomeado.

 

Insecto adulto:

Depois da fase difícil que é a eclosão, chega a altura da reprodução. E maioria dos insectos de um rio, eclodem, reproduzem-se e morrem no mesmo dia. E, como é de esperar estas dádivas da natureza são bem conhecidas dos peixes, tornando-se muitas vezes em verdadeiros banquetes.

No meio onde abundam peixes predadores, também abundam pequenos peixes, que fazem parte da sua dieta diária. E na tentativa de capturar estes predadores, os pescadores foram obrigados a inventar um pequeno objecto com um anzol que consiga imitar o movimento da sua comida. E assim foram inventados os streamers. 

 

Os streamers:

Os streamers podem ter variadas formas, cores, consoante a espécie que pretendemos capturar. E como por natureza, os predadores são possuidores de bastante agressividade, temos a vantagem de construir os streamers com cores vivas, ou de modo a que efectuem na água movimentos muito agressivos, o que pode provocar o ataque do peixe. Mas para peixes mais "esquisitos" na sua alimentação, podemos realizar imitações mais realistas, que para além de serem idênticos a um pequeno peixe também se movem na água como uma presa em fuga. 
Quanto ao tamanho dos streamers, estes podem variar desde alguns centímetros até ás plumas para o espadarte com 32cm.

 

Os diver's

E de igual modo que existem pequenos peixes nessas águas, também existem outros seres como rãs, pequenos roedores, etc. Imitações como estas também podem ser realizadas, e muitas destas tornam-se produtivas devido ao facto de imitarem quase na perfeição o seu movimento.

Estas plumas têm uma característica muito especial, são plumas com flutuabilidade, e devido ao corte final que é feito na sua "cabeça" permite que este afunde um pouco ao aplicar-mos um ligeiro toque na cana, e se parar-mos o diver volta á superfície. Estas plumas são das mais produtivas que podemos utilizar na pesca do achigã. 

 

Os poper's

Este tipo de amostra é também utilizada em outras modalidades de pesca. Os poper's utilizados na pesca á pluma necessitam de ser leves, e isto é conseguido através dos materiais utilizados na sua construção. Este tipo de amostras de superfície, tanto diver's como poper's, são realizados por nós, e podem ser feitos de foam (material de que são feitos os chinelos de praia), que é um material bastante leve, maleável e com uma flutuabilidade excelente, a cortiça, ou a madeira de balsa. Também podemos optar por materiais naturais, como o pelo de veado colorido, o qual é muito divertido de montar. São tipos de plumas quase infalíveis nos meses quentes do verão em que o achigã se alimenta perto da superfície.

Em artigos futuros iremos falar de todos estes tipos de plumas, da sua construção e aplicação, consoante a espécie que se pretende pescar.

 

Texto e fotografia:
José Rodrigues


     

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