| Uma das
satisfações que a pesca á pluma nos pode proporcionar, é o facto de podermos confeccionar as nossas
plumas. E apenas podemos sentir o prazer que nos proporciona, no momento em que estamos sentados numa
cadeira,
em frente a uma mesa repleta de material de montagem, que colocamos nos
nossos dedos todo o conhecimento que adquirimos ao longo do tempo, e
realizamos aquela pluma tão especial
que nos poderá dar o peixe da nossa vida. Pode parecer
esquisito, mas esse momento é tão especial, que se fechar-mos por
momentos os olhos, os nossos pensamentos voam até ao rio, imaginando a fantástica
pescaria de amanhã.
E assim que chega o dia de amanhã, quando segurarmos o peixe com delicadeza entre
as nossas mãos, e virmos que tem dentro da sua boca aquela pluma
que fizemos com tanto empenho, saberemos o verdadeiro significado da
pesca á pluma.
Depois, com o passar do tempo, os nossos
dedos agem como por instinto, e poderemos tentar algo mais ousado. Podemos tentar realizar imitações cada vez mais
realistas, que
para nós, pescadores á pluma, se pode transformar numa forma de
arte.

Este é um exemplo de uma montagem
realista.
De
seguida, apenas iremos abordar os principais tipos de plumas, isto porque, dependendo da
habilidade e criatividade de cada montador,
poderão surgir infinitos modelo, e até algumas invenções.
As
plumas.
As
ninfas:
Ninfa,
é o nome dado ás larvas dos pequenos insectos que habitam o
meio aquático. Estas ninfas vivem entre as pedras no leito do
rio,
pois aí encontram abrigo e alimento enquanto se desenvolvem. Em qualquer sitio em que exista
água, seja um rio límpido ou um charco estagnado, existem
ninfas. Algumas espécies são mais sensíveis, e apenas conseguem
sobreviver em águas límpidas, como por exemplo as larvas das
efémeras.
Enquanto que outras espécies, como por exemplo as larvas da
libélula tanto habitam águas limpas como estagnadas.
Quando
falamos em águas estagnadas, não falamos em águas poluídas, e
qualquer espécie de ninfa não tolera quaisquer níveis de
poluição. Como devem saber, um rio é um ecossistema pequeno e sensível
em que os insectos são a base da cadeia alimentar. E a partir do
momento em que o rio apresenta níveis de poluição, os insectos
desaparecem de imediato, assim como todos os animais que deles se
alimentam, incluindo os peixes. E assim, um rio deixa de ter vida!
Ao longo do
tempo, os peixes foram obrigados a se adaptarem ao meio onde vivem,
e por norma, de maneira a se alimentarem do que é mais abundante na
área. E
em qualquer massa de água as ninfas são os seres que existem em
maior quantidade, e tornam-se no
alimento numero um dos peixes tanto no seu estado juvenil como adulto.
As
emergentes (subimago):
Quando as ninfas acabam de se desenvolver, passam á fase
seguinte da sua vida, pois chegou o momento em que se
transformam em insectos adultos. A maioria dos insectos do rio eclodem ao mesmo
tempo, na mesma altura do dia e em grandes quantidades. Neste
momento, as ninfas têm de se libertar das pedras que foram o
seu refúgio, e nadar até á superfície. A ninfa
realiza o seu maior esforço quando tenta romper a superfície
da água devido á "tensão superficial" da mesma, e depois
de o fazer é obrigada a permanecer durante um certo tempo á
superfície de modo a que as asas se abram para poderem voar. É nestes momentos da
sua vida que estão mais vulneráveis, e muitas vezes
tornam-se alimento de um peixe esfomeado.
Insecto
adulto:
Depois
da fase difícil que é a eclosão, chega a altura da
reprodução. E maioria dos insectos de um rio, eclodem,
reproduzem-se e morrem no mesmo dia. E, como é de esperar
estas dádivas da natureza são bem conhecidas dos peixes,
tornando-se muitas vezes em verdadeiros banquetes.
No
meio onde abundam peixes predadores, também abundam pequenos
peixes, que fazem parte da sua dieta diária. E na tentativa
de capturar estes predadores, os pescadores foram obrigados a
inventar um pequeno objecto com um anzol que consiga imitar o
movimento da sua comida. E assim foram inventados os
streamers.
Os
streamers:
Os
streamers podem ter variadas formas, cores, consoante a espécie que
pretendemos capturar. E como por natureza, os predadores são possuidores
de bastante agressividade, temos a vantagem de construir os streamers com
cores vivas, ou de modo a que efectuem na água movimentos
muito agressivos, o que pode provocar o ataque do peixe. Mas para peixes mais
"esquisitos" na sua alimentação, podemos realizar imitações mais
realistas, que para além de serem idênticos a um pequeno peixe
também se movem na água como uma presa em fuga.
Quanto ao tamanho dos streamers, estes podem variar desde alguns centímetros até ás
plumas para o espadarte com 32cm.
Os
diver's
E de
igual modo que existem pequenos peixes nessas águas, também
existem outros seres como rãs, pequenos roedores, etc.
Imitações como estas também podem ser realizadas, e muitas
destas tornam-se produtivas devido ao facto de imitarem quase na
perfeição o seu movimento.
Estas
plumas têm uma característica muito especial, são plumas
com flutuabilidade, e devido ao corte final que é feito na
sua "cabeça" permite que este afunde um pouco ao
aplicar-mos um ligeiro toque na cana, e se parar-mos o diver
volta á
superfície. Estas plumas são das mais produtivas que podemos
utilizar na pesca do achigã.
Os
poper's
Este
tipo de amostra é também utilizada em outras modalidades de
pesca. Os poper's utilizados na pesca á pluma necessitam de
ser leves, e isto é conseguido através dos materiais
utilizados na sua construção. Este tipo de amostras de
superfície, tanto diver's como poper's, são realizados por
nós, e podem ser feitos de
foam (material de que são feitos os chinelos de praia), que
é um material bastante leve, maleável e com uma
flutuabilidade excelente, a cortiça, ou a madeira de balsa.
Também podemos optar por materiais
naturais, como o pelo de veado colorido, o qual é muito
divertido de montar. São tipos de plumas quase
infalíveis nos meses quentes do verão em que o achigã se
alimenta perto da superfície.
Em
artigos futuros iremos falar de todos estes tipos de plumas,
da sua construção e aplicação, consoante a espécie que se
pretende pescar.
Texto
e fotografia:
José Rodrigues
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