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O tarpon (Megalops atlanticus),
é um peixe alongado e prateado com o dorso esverdeado, com
uma grande boca perfeitamente adaptada aos seus hábitos
predatórios. O último risco de sua barbatana dorsal é
bastante alongada. As escamas são muito grandes, mas
bastante finas. É um peixe que habita em águas tropicais,
tem preferência por zonas de baixa salinidade e de baixa
profundidade, sendo encontrado em canais, rios ou baías com
acesso directo ao mar. Grupos numerosos de sábalos podem
ser encontrados em mar aberto, mas nunca permanecem muito
tempo afastados dos seus locais predilectos - os estuários
de baixa profundidade. Esta espécie abunda em locais
repletos de mangues ou outra vegetação que cresça na
água em locais de pouca profundidade.
Além
de ser um peixe calmo e astuto, é também um predador muito
voraz. São muito preguiçosos nas suas zonas de caça, mas
agem com altíssima velocidade após a escolha da presa.
Muitos tarpons foram inadvertidamente cravados por
pescadores enquanto estes trabalhavam um pequeno peixe preso
a uma isca artificial, e
isto pode ser complicado, pois os pescadores não estavam
preparados física ou psicologicamente, para enfrentar
aquela repentina situação.
São
facilmente encontrados exemplares com pesos de 40 até 70
kg, que são um desafio para qualquer pescador, algo maior
que isto é um acontecimento muito raro. Já foram pescados
á pluma exemplares de 90 Kg, com canas numero 12, e existe
a fotografia como prova! No entanto, foram vistos vários
exemplares na América Central com 2,5 m e com cerca de 150
Kg, o que não é exagero.
A
Lagoa de
Tacarígua,
uma grande lagoa natural alimentada pelo mar, situada a
somente três horas de carro de Caracas. É um lugar
maravilhoso, de gente carinhosa, que recebe bem todos os
visitantes. Na localidade de Rio Chico, situada na foz da
lagoa, não se pratica a pesca comercial desde o século
passado, apenas se utilizam métodos de pesca rudimentares
como a "tarraia". É um local selvagem, com uma natureza muito bela,
é algo novo para os nossos olhos. Durante todo o dia
escutam-se e vêem-se pássaros de todas as cores, vêem-se
enormes caranguejos que atravessam a rua mesmo á frente dos
nossos carros, e, claro, onde se pode pescar tarpons, mais
conhecidos no local como sábalos, de 15 até 25
kg.

Na
minha viagem a este pequeno éden, pude viver momentos difíceis
de esquecer. É em locais como estes que vemos como o lado
selvagem do nosso mundo, onde existem coisas que os nossos olhos vêm
que são impossíveis de descrever. E é nestes momentos que
damos por nós a reflectir, a pensar no quanto pequenos somos
perante a Natureza.
Na
Venezuela, o clima é totalmente tropical; sendo assim, a
vegetação da lagoa é constituída por autênticas
florestas de mangues que, com a ajuda de uma mão divina,
transformaram-se em algo de inacreditável. Formaram-se
belos canais e ilhas onde não existe terra, apenas as finas
raízes dos mangues que se erguem da água suportam o seu
peso. Ao longo do tempo este éden torna-se
inevitavelmente refúgio para numerosas espécies de aves,
peixes e de alguns crocodilos. É dentro destas condições
que vamos encontrar e conhecer o sábalo.
Os
sábalos mais pequenos podem ser vistos com muita facilidade
nas imediações dos mangues, pois são as suas raízes que
lhes oferecem refúgio durante o seu estado juvenil. São
grupos numerosos em que o peso dos peixes oscila
entre 2,5 e 10kg.
Nesta
lagoa, é possível pescar o sábalo durante todo o ano, mas
a melhor época está situada entre os meses de Junho e
Dezembro, que é o momento do ano em que se verifica uma
maior actividade, sendo "facilmente" pescados á
pluma ou com outra modalidade de pesca em que se utilizem
iscas artificiais.
O
que faz com que este tipo de pesca seja tão desportiva é o
facto de se poder pescar com material ligeiro, ou seja, uma
cana para linha 7. Mas claro que a escolha da cana vai
depender do tamanho do peixe que vamos pescar e do tamanho
da pluma que pretendemos utilizar. Por isso, é
aconselhável utilizar uma cana para linha 9. E no caso de
pretendermos pescar exemplares para cima de 30 Kg ou até
mesmo os de 90 kg perto da foz, teremos que optar por uma
linha 11 ou 12.
Quanto
aos carretos, seria melhor optar pelos que possuem travão
de disco e com capacidade de pelo menos 200 jardas de
backing para além da linha principal, pois nunca se sabe o
tamanho do peixe que poderemos cravar.
LINHAS
Como disse
anteriormente, esta lagoa é alimentada pela água do mar,
sendo assim, a água não é completamente salgada, pelo
menos nos locais mais afastados da foz. Então não é
totalmente necessário optar por uma linha especialmente
desenhada para pescar no mar - podemos utilizar
qualquer linha WF. Mas claro que as linhas desenhadas
especialmente para a pesca no mar pode ajudar-nos a
contornar o problema causado pelo vento e pelo peso das
moscas, tornando mais fácil os lançamentos.
O
LEADER (baixo de linha)
Os
leaders para o sábalo são constituídos por duas partes. A
"Butt Section", o "Tippet" e o "Chock
Tippet".
A
Butt Section é constituída por três partes de nylon; a
primeira mede cerca de 4 pés e tem uma resistência de
30Kg, a segunda vai unir-se à primeira e tem uma
resistência de 15Kg.
A Segunda parte é o Tippet, que é a parte mais importante
do baixo de linha. É o elemento mais delicado do baixo de
linha e tem uma resistência de 8 Kg ou 10 Kg ( por
incrível que pareça é com estes Tippet's com resistência
de 10kg que se podem pescar sábalos até 80 Kg).
A terceira parte tem o nome de "Shock Tippet", que
é um pequeno segmento de nylon com 25cm com resistência de
30kg, 40kg, 50kg, dependendo do tamanho do sábalo que
pretendemos capturar. É importante salientar que o shock
tippet serve somente, como o próprio nome indica, para
diminuir o efeito de choque que o sábalo provoca no tippet.
Se não for usado, é provável que o Tippet ceda perante a
violência dos seus saltos.
E,
para que o nosso leader seja concluído, é necessário
aplicar os nós certos, que são a parte mais importante
deste trabalho. Se um nó está mal feito, isto poderá
comprometer a captura.
Alguns
destes nós são utilizados apenas para a pesca destas
espécies tropicais. O nó usado para unir o primeiro
segmento de linha ao segundo é o nó de sangue "blood
knot", também conhecido por "nó barril", o
segundo é terminado com um "Loop Knot".
O Tippet é feito a partir de um nó "Bimini Twist"
em ambos os lados - este nó é o mais usado na pesca
de mar, pois as suas características permitem que o nylon
mantenha 100% da sua resistência original. Uma extremidade
do Shock Tippet
vai ser unido ao Tippet com um "Albright knot" e
na outra extremidade será atada a pluma com o nó "Homer Rhode
Loop Knot".
Todos
estes nós serão apresentados em futuros artigos.
AS
PLUMAS
As
plumas usadas para a pesca desta espécie, devem ser
montadas em anzóis nº1/0, 2/0 ou 3/0. E é ter na nossa
caixa todos os tamanhos possíveis, pois nunca se sabe...
Pode utilizar-se plumas de superfície ou de meia água. As
primeiras serão a melhor opção, já que é na superfície
que o sábalo passa a maior parte do seu tempo.
Também é comum usar pequenos poppers e pequenos dívers
montados a partir de lã de ovelha, ou outros
materiais sintéticos.
Eu,
no primeiro dia de pesca, tive que experimentar todas as
plumas que tinha na caixa - havia duas que deram bons
resultados. Uma era uma imitação de um pequeno camarão, e
a outra era um streamer de nome "cockroach" feito
com quatro penas grizzlly montadas no anzol, com o colar
feito de buck-tail negro e a cabeça com epoxy, que me
proporcionou boas capturas.
Nestas
águas, é bastante comum encontrar outra espécie de
predador, o snook, conhecido como "róbalo"
e é comum chegarmos ao final da jornada com alguns
exemplares capturados. Para estes peixes, é mais
aconselhável utilizar as imitações de camarão, pois são
o seu alimento número um. Mas em outra ocasião
falaremos deste peixe.
Existem
muitos modelos standard para o sábalo que não deixam de
ser efectivos, e é necessário não esquecer que as duas
plumas que mencionei anteriormente foram eficientes, mas na
semana seguinte a preferencia dos sábalos poderia mudar.
Sendo assim, é aconselhável ter na caixa vários modelos
com várias cores para evitar um possível desgosto. Algumas
das plumas que poderia eleger para uma caixa seriam, os
"lefty deceivers" (verde, amarelo, vermelho e
branco), as "huff's bug" (branco, amarelo e azul),
as "skipping bug" (branco, amarelo e azul), e o
"minake special" (branco, negro e
amarelo)
O
VESTUÁRIO.
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Como
as temperaturas em Rio Chico são quase sufocantes,
é melhor optar por roupas desenhadas
especialmente para a pesca em zonas tropicais -
roupas finas para nos manter o mais confortável
possível. O sol tropical é realmente muito
perigoso, e para as pessoas que não estão
habituadas poderá ser muito mais. Este pode com
facilidade causar queimaduras graves na nossa pele.
Não se esqueça também de levar o boné, se
possível com protecção para o pescoço de modo a
evitar o sol. E, quanto menos partes expostas ao
sol, melhor. |
EQUIPAMENTO
Dentro
de variados equipamentos que podemos levar, os de maior
importância serão
sem dúvida os óculos polarizados, já que assim poderemos
ver mais facilmente os peixes nadando perto dos mangais e
será menor o efeito causado pelo reflexo do sol na superfície
da água.
Um
par de luvas sem dedos, muito finas, para proteger a parte
superior das nossas mãos. Eu sei bem que com as altas
temperaturas e niveis de humidade pode ser bastante
desconfortável, mas é bem melhor o ardor provocado por uma
queimadura.
E
por favor.....não se esqueça do repelente para insectos,
pois pela manhã bem
cedo e ao final da tarde temos a denominada
"plaga", ou seja, mosquitos minúsculos e
insuportáveis que nos atacam sem qualquer piedade. Mas nada
de preocupações, pois isto ocorre somente na margem – e,
a partir do momento em que entramos no barco e nos afastamos
rumo aos sábalos, os mosquitos desaparecem.
Outra
coisa importante é levar uma pequena lima para afiar os
anzóis, já que os sábalos têm a boca bastante
dura.
COMEÇA A AVENTURA
Para
pescar nestas zonas, é completamente indispensável
um guia de pesca. Os guias existentes na região conhecem
muito bem toda a lagoa - eles são indispensáveis, pois de
outro modo seria relativamente fácil ficarmos perdidos nos
canais formados pelos mangues que são autênticos
labirintos.
Depois
de algum tempo a navegar e a desfrutar da paisagem,
chegamos ao local onde iniciaríamos a nossa busca pelos sábalos.
E não tardou muito até começarmos
a ver algum movimento estranho perto das raízes dos
mangues.
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É algo de
impressionante de ver... poderão não acreditar,
mas tive momentos que nem sabia onde lançar... Eu
gostaria de ver a minha cara no momento em que o
guia me disse que eram sábalos! O momento alto
desta pesca, é quando conseguimos ver os sábalos
em movimento na superfície com a ponta da barbatana
caudal fora de água, e, se nesse momento ele não
submerge, é necessário com um lançamento preciso,
colocar a pluma na sua trajectória. |
Assim
que o sábalo abre a boca e a nossa pluma desaparece, temos
que ferrar com força. Uma das características deste peixe,
é que após estar cravado inicia uma série de saltos
incríveis, e se não ferrarmos o sábalo com força, é
provável que este se solte. Mas se o anzol ficar bem
cravado, teremos uma bela fotografia para mais tarde
recordar. E por momentos, após libertar o sábalo, não
queria acreditar que estava alí, naquele fantástico lugar
e com aqueles fantásticos peixes.
Os
grandes sábalos estavam refugiados entre as raízes
dos mangues - apenas se escutava o ruído que faziam
ao desencadear violentos ataques aos pequenos peixes. E por
vezes, surgem aqueles momentos mágicos em que os grandes sábalos
saíam dos seus abrigos e deambulavam calmamente pela superfície,
são momentos em que o nosso coração quase para. Tive a
oportunidade de lançar a minha pluma a alguns exemplares de
tamanho respeitável, somente consegui fisgar um que se
soltou após o primeiro e violento salto. Mas, na minha cara,
juntamente com um pouco de desilusão ficou um sorriso que ainda hoje recordo.
O
grande problema desta lagoa é que as águas não são tão
claras como no mar, e tem-se um pouco de dificuldade em
estudar o movimento dos sábalos na superfície. Apenas
quando os vemos a agitar a água, é que conseguimos
detectar a sua presença, e com as águas escuras temos
dificuldade em avaliar a sua trajectória. Se lançarmos a
nossa pluma e o sábalo não a vê, nada feito -
teremos que tentar de novo a nossa sorte.
Algo
que é importante, mas mesmo muito importante,
é que enquanto estamos no barco á procura dos sábalos
pelos canais de mangues, temos que prestar atenção
ás sombras que estes fazem na água. Principalmente as
pequenas entradas por baixo das ramas que estão sob a água,
pois são os locais onde os sábalos permanecem mais
tempo, principalmente nas horas em que o sol está mais
forte.
Então,
logo que avistar um destes locais e mesmo que não observe
movimento no local, não pense duas vezes em colocar lá a
pluma uma ou duas vezes, aposto que irá ter alguns momentos
de cortar a respiração!
Isso
sim, se não está habituado a pescar em condições
semelhantes é muito
importante que antes de iniciar uma viagem deste tipo,
treine com intensidade. É importante que consiga colocar
com facilidade a pluma a 10cm de uma raiz de mangue, assim
como tirar a pluma da água e coloca-la noutro local com
apenas um lance. Acredite que a precisão poderá representar o dobro das
capturas.
No
primeiro dia de pesca consegui apanhar e libertar para cima
de 30 sábalos, mas outros tantos escaparam. Mas, a pesca é
mesmo assim, e são estes momentos tão especiais, que
tornam este tipo de pesca tão emocionante. E no
regresso a casa já estamos a imaginar a pescaria de
amanhã.
Texto
e fotografia:
José Rodrigues
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