"Tal como um livro, uma viagem começa com impaciência e termina com melancolia"

- José de Vasconcelos -

O couto de Villagudín.  

A barragem de Villagudín  tem uma extensão de 162 hectares e está situado No ajuntamento de Órdenes, Tordoia e Cerceda, província de A Coruña. È um couto intensivo único em Espanha, onde poderá pescar durante 

todo o ano. Uma rede divide este couto em duas partes. Uma parte dedicada á pesca do Salmão, com uma área de 62 hectares. Está estimada uma densidade de 4.956 indivíduos segundo os números fornecidos pelas entidades gestoras deste couto.

As trutas comuns e arco íris desfrutam de 100 hectares. A população estimada de trutas comuns é de 5.759, que ao juntar-se coma população de trutas arco íris, que é 5.964, faz um total de 11.723 indivíduos. Mas, mesmo com esta quantidade de peixe, alguns dias são para esquecer!

 

O Material.

Este couto é ideal para a prática da pesca á pluma, em que as grandes trutas o ajudarão a testar todo o seu material!

O peso dos salmões atinge os 10 Kg, e das trutas arco íris 9 Kg. Como se trata de uma barragem e os obstáculos não se encontram em grande número, podemos optar por material ligeiro, o qual irá proporcionar momentos de muita emoção. Uma cana para linha cinco, com uma linha WF auto flutuante com o mesmo número, poderá ser considerada ideal. O carreto, é conveniente que esteja equipado com um bom travão de disco e que possua pelo menos 50m de backing.

Esta barragem, devido á sua localização geográfica é frequentemente fustigada for fortes ventos, o que torna por vezes muito complicado lançar a pluma á distância desejada, e mais complicado ainda faze-lo com uma cana para linha cinco. Deste modo, é conveniente possuir uma cana para linha oito ou até mesmo nove para estas situações.

 

 

Ideal para a pesca á pluma.

  Com a cana em punho, e um enorme sorriso no rosto, começei a minha caminhada pela margem em busca das grandes trutas. Algumas gaivotas e garças vagueiam pelos locais mais discretos ao abrigo de algumas árvores em busca de pequenos escalos que habitam estas águas. E de metro em metro, desviava o olhar para a água, tentando ver alguma actividade á superfície. Para nossa tristeza, apenas se viam as ondas criadas pelo forte vento, não sendo detectado nenhum movimento suspeito na água que fizesse prever a presença das grandes trutas, que nos desperta-se o instinto de com um lançamento colocar a pluma na sua trajectória.

 

Pesca á vista. 

  Em dias sem vento, a pesca torna-se um verdadeiro exercício, em que temos de percorrer as margens da barragem, com a cana a postos para o lançamento final, em busca das tomadas das trutas na superfície, e de seguida, com um lançamento preciso colocar o muddler no mesmo local onde a truta tomou o insecto. De seguida começamos a recolher a linha de modo que o movimento da pluma provoque o ataque do peixe. Ainda que estas trutas aprendam rapidamente os rigores da liberdade, passam por um momento de tal fome que se atiram a qualquer coisa que esteja na superfície, incluindo bocados de folhas, pequenos paus, e tudo o que seja colocado na água pelo pescador será devorado com grande fúria. Mas ainda bem que a aprendizagem é rápida e estas começam a rejeitar as plumas dos pescadores, e estas trutas difíceis tornam-se tão interessantes como uma selvagem. Nesta jornada não foi fácil, e os exemplares capturados não foram assim tantos quando comparados com os existentes.

 

 

Com ninfa.

Para estas trutas de grande tamanho é aconselhável utilizar ninfas de grande tamanho. Uma das ninfas que se mostrou bastante produtiva, é um modelo de aspecto "extraterrestre" que é apenas utilizada em situações especiais, e com espécies também especiais. Este modelo deverá ser lastrado e poderá ser montado num anzol número 2, 4 ou 6, o seu corpo é feito a partir de tiras de Chenille amarelo e preto, e com quatro longas patas de elástico, duas na parte traseira voltadas para trás e duas na cabeça voltadas para a frente.

O modo como se deve trabalhar a ninfa é bastante simples. Após o lançamento deve-se deixar que a ninfa afunde um pouco, de seguida com a mão esquerda recolhemos a linha de modo a dar á ninfa um movimento de emersão e ao mesmo tempo com a mão direita, devemos seguir o movimento da linha levantando a cana.

Assim que a truta apanha a ninfa, não espere um toque de lhe arrancar a cana das mão, as vezes acontece, mas o contrário acontece muito mais vezes. Nestes casos deverá estar bastante concentrado de modo a poder detectar as suas leves investidas. Se no momento que está a recolher a ninfa, notar algo estranho que o faça pensar que a ninfa está a tocar uma pequena rama ou erva, esteja atento. Nestes casos é preferível ferrar, se for uma truta parabéns, se for uma rama, paciência, terá de colocar outra ninfa. Também é comum, depois de ferrar ficar uns segundo indeciso se o que tem no anzol é uma bela rama ou uma bela truta, mas assim que a truta sentir que está a ser tocada, começará a “voar” na água, e não a tente parar de uma maneira brusca, senão a ruptura é inevitável e não irá reclamar o seu prémio. Depois de umas longas corridas até ao backing, e de muita luta poderá apreciar a beleza destes peixes. O simples facto de desfrutar a natureza na companhia dos nossos amigos, de viver todos os momentos que ocorrem nestes incríveis lugares, são motivos mais que suficientes para que se tornem parte das nossas recordações.

Texto e fotografia:
José Rodrigues e Arturo Alonso.

 

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" Depois de uma luta digna, o único que posso fazer é apreciar a sua beleza... e recordar este momento por muito tempo"
" A força destes peixes é enorme, transformando alguns minutos numa eternidade..."
" Mesmo os exemplares de menor tamanho lutam freneticamente até que os consigamos ter em mãos..."
" Miguel Alonso, com mais um dos bonitos exemplares capturados durante o dia... "
 

     

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